domingo, 25 de março de 2018

Exegética (O foco).

“Jesus, porém, respondendo, disse-lhes: Errais, não conhecendo as Escrituras, nem o poder de Deus. ” (Mateus 22: 29 ARC) ..."E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade." (João 1: 14 ABSVD Freeware).
A exegese na forma como é aplicada nos “círculos teológicos atuais”, vem empregando um fundamentalismo retrógrado que ignora a realidade do homem subjugando tudo entre Deus e o Diabo, desconsiderando-se o papel do homem, como se estivéssemos “tirando o nosso time de campo”, empurrando a obra da fé “nas costas de Deus”, de maneira que tudo se torna “terceirizado a um sistema” (Tanto psíquico como espiritual enteando uma rede carmática), como se a ideia dos pregadores fosse colocar tudo no “automático” (ou na Palavra, ignorando os argumentos que se renovam e são o verdadeiro fermento do Reino de Deus) impondo o cumprimento de uma doutrina, aliás, aceitação de uma doutrina... Em virtude de um império clérigo de alguns poucos que se consideram iluminados, ao ponto de se acharem: “os donos da verdade”, procurando manipular, ou alienar a todo e qualquer aderente de seus pensamentos que eles “comprovam” pela Bíblia (Esta é a denúncia centrada na seguinte mensagem que se segue...).
A melhor forma Hermenêutica é aquela que se baseia em constatações explícitas, quando por exemplo, a Bíblia fala claramente mesmo que por traduções diferentes, que mesmo assim, compreendem o mesmo conceito e dogma proveniente de uma verdade objetiva... um exemplo que poderíamos citar se constata no seguinte: "Porque em Jesus Cristo nem a circuncisão nem a incircuncisão tem valor algum; mas sim a fé que opera pelo amor." (Gálatas 5: 6). Neste sentido, “usar os óculos de Deus”, analisando tudo pela ótica do amor, sendo o amor em todas as suas formas de interpretação, compreende-se que naquilo à que nos mantemos fiéis, é aquilo que propaga pela nossa vida. Se apenas conhecimento, ou também, prática! O que alude à uma tipologia que ilumina uma nova realidade, e que se não for assim, está contra Deus.
Assim, a providência de Deus em ação na Palavra, na pregação, só tem sentido, se trouxermos o texto para o contexto atual em sua relevância, ou seja, só tem sentido Deus falar se há uma obra a ser realizada através deste falar, nesse sentido, a hermenêutica bíblica deve se situalizar na realidade e no contexto da necessidade de cada cultura a que pretende se instalar e não na cultura passada a que foi providenciada, o que seria regresso, assim, toda hermenêutica exegética das Escrituras se cultua à um propósito de providência para sobrepor a uma tarefa nova, e não à uma reposição fundamentalista em sobrepujar o literal como evidência da verdade e autenticidade do texto em si. Em outras palavras, o Verbo, não precisa provar, porém, cabe a nós permitirmos a Sua manifestação em sentido construtivo... evidenciando em nós uma semelhança que se faz reconhecimento de sermos d’Ele. Atraindo para Ele, seja por nossas atitudes como pelo nosso “caráter”, no qual, se situa nossa real qualidade de vida. Também, isso evidencia em nós um profundo “temor e tremor” ao Altíssimo.
Desse modo, percebe-se que em dias atuais, há uma exegese que abafa o poder de Deus em sua essência, subjugando a vontade de Deus ao capricho do homem, no sentido que a Bíblia se torna um contexto didático de maneira histórica. Sendo sem providência para a realidade atual num propósito explicitamente discernido. Esquecendo assim a pregação atual da ênfase motivacional à que a palavra se propaga, como o estímulo pelo amor à vida, de modo que vem se tornando cada vez mais em um alicerce distorcido em sua objetividade do plano de Deus... Plano, que deveria ser aceito em nossa realidade sem que à abandonássemos, mas confiantes em Sua providência, intervíssemos!!
Pelo que toda a obra de Cristo se estende à uma motivacionalidade no amor de Deus em aspecto de ordem, constituindo lideranças. Ao que os apóstolos exerceram o mesmo “papel”, motivando as pessoas em suportar a realidade, em esperança de vida eterna no por vir.
Nesse aspecto, a exegese só apresenta utilidade se nos conduz “nas pisadas de Cristo”. Ou, em Sua ótica... o que nos impulsiona a uma ação segura. Lógico que há de se tratar também os perigos do radicalismo eisegético, com séria tolerância aproveitando-se esta ansiedade pela plenitude da verdade não com debates desgastantes, mas como um acaloramento que em verdade se torna numa oportunidade de lançar sementes. Sendo que o que é descartável, passará, mas Cristo, prevalecerá.
Assim, essa tal Eisegese, que se fundamenta em “achismos”, especulando a Bíblia, se manifesta devido ao abismo cultural que o texto literal, ou, a exegese histórica possibilita, por suas especulações fundamentalistas... devido ao contexto do escritor sagrado estar em outro padrão cultural. De maneira que a hermenêutica bíblica possibilita uma confirmação de uma doutrina mais do que uma interpretação providenciada.
Sendo que tanto a exegese como a eisegese, produzem os mesmos efeitos quando não é Deus falando, mas o homem ministrando aquilo que pertence ao encargo de Deus, ao que Jesus salienta: "Então Jesus disse-lhe: Embainha a tua espada; porque todos os que lançarem mão da espada, à espada morrerão." (Mateus 26: 52), ou seja, todo aquele que manobra a “espada do Espírito”, tenta toma-la de Deus, porque a pregação pertence a Deus antes de vir ao homem, pelo que só por consagração nos é permitido pregar, e de acordo ao chamado: "Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus;" (Efésios 6: 17), ao que Paulo nos incita à consagração, sem a qual, não há eficiência na pregação. Também, à que nos purifiquemos pela obediência, de modo que há sim uma exegese que nos aproxima mais do autêntico cânon espiritual, e assim, nos motiva a uma ação por obediência à revelação.  
Porém, um axioma canônico não tem efeito se for aplicado de forma literal em um contexto adverso à realidade que se propõe, sendo apenas algo ilustrativo de algo espiritual, que só é dado por revelação inserindo-se numa nova realidade. Por isso, fundamentalizá-lo, é alienar o ouvinte à um propósito subjetivo e mascarado, ao desígnio de quem profetiza, pelo que Paulo adverte: "E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas." (1ª Coríntios 14: 32), sendo o conhecimento que se tem em mente, é fundamental que seja ignorado para que a profecia seja conforme a vontade de Deus, guardando-se apenas o conhecimento de Deus “sobreposto”, e não subjacente aos entendimentos  forçados, ao que lemos: “Que desfaço os sinais dos profetizadores de mentiras e enlouqueço os adivinhos; que faço tornar atrás os sábios, cujo saber converto em loucuras; que confirmo a palavra do meu servo e cumpro o conselho dos meus mensageiros;” (Isaías 44: 25-26a ARA), como Paulo também disse: "E eu estive convosco em fraqueza, e em temor, e em grande tremor." (1ª Coríntios 2: 3), sendo que Paulo ignorou conhecer para que seus conhecimentos não interferissem em sua profecia, ao que se torna verdadeiro o que nos lembra Pedro: "Porque a profecia nunca foi produzida por vontade de homem algum, mas os homens santos [consagrados] de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo." (2ª Pedro 1: 21).
O que significa que o conhecimento sem consagração, esfria o poder. De modo que um “esvaziamento”, discernimento, não literalmente o completo abandono, mas sim, uma assimilação coerente com a necessidade espiritual e a compreensão que se tem da realidade no plano de Deus, se faz necessário para que a Palavra surta efeito, gerando a plenitude da salvação.
Nesse sentido, proponho o conceito de “Teometasofia”, que é revelação ainda não concebida, um “a priori” de uma essência profética. Ou seja, Teometasofia, é estar adiantado ao tempo normal, ou comum aos demais, sabendo-se coisas transcendentes ao que é óbvio. Ou seja, a Teometasofia engloba sabedorias inconscientes ao pensamento lúcido. Estando no onisciente de Deus, porém, ainda não revelado, sendo reservado para a própria glória de Deus, e manifesto em tempo determinado, e conforme a busca pela verdade do discípulo de Cristo. Sendo a Teometasofia o subentendimento do futuro e a expectação da própria eternidade em sua manifestação.
De maneira que Deus age pela Teometasofia, sendo ela uma forma de compreensão do espírito dos profetas, que é a essência mais pura da verdade, a fim de que os homens sejam provados. Também, ela é a porta da profecia, pelo que Amós declara: "Certamente o Senhor DEUS não fará coisa alguma, sem ter revelado o seu segredo aos seus servos, os profetas." (Amós 3: 7), assim a hermenêutica histórica, sobrecarrega a genuinidade profética. Pelo que apóstolos e profetas, “formados” sem chamado, “tiram o corpo fora”, ou atribuindo tudo entre Deus e o Diabo, ou, atribuindo a Bíblia por mero conceito didático, como se fosse um livro de “historinhas”, e até, de mitos, impulsionando comportamentos de misticismo à alegoria de poderes e magias, quando não, ao oposto radical disso... sendo que o verdadeiro profeta e apóstolo, se abstém da eisegese e da exegese, não obedecendo uma hermenêutica literal, ao ponto que se fundamentam apenas em fé na providência de Deus, ao que o próprio Jesus declara: "Mas, quando vos entregarem, não vos dê cuidado como, ou o que haveis de falar, porque naquela mesma hora vos será ministrado o que haveis de dizer." (Mateus 10: 19).
Sendo que a fé que opera pelo amor, é a síntese mais alta do axioma bíblico. De maneira que o próprio Jesus declara: "Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas." (Mateus 22: 40), ou seja, da atenção a Deus, e também a atenção e cuidado do próximo. Sendo que sem amor, de nada adianta toda a bagagem cultural, que se torna deslocada da realidade de Deus e da necessidade do ouvinte. Inclusive, a própria fé acha bases se estabelecendo em crendices e superstições, ou seja, torna-se inútil.
Assim, proponho o desenvolvimento de uma hermenêutica baseada na vontade de Deus, e não propriamente na cultura e especulação em suposições “do que seria” a vontade de Deus, que então, seria baseada em dúvidas, questões, não propriamente em aceitar e compreender que Jesus é o centro do plano de Deus, ao que se tem de ter fé que é Jesus que providencia e nós meramente obedecemos aplicando autodomínio como disciplina para que Ele se achegue à nós, revidando às tentações de Satanás, para que Jesus se aproxime como tem proposto em seu coração a nosso respeito. Pelo que recebemos a Sua bênção e nela perseveramos em fidelidade à Sua revelação. Guardando em nosso coração o que já temos por discernido ser a Sua vontade.

Sabendo que a Sua unção para cada um de nós, reivindica que nos relacionemos com Ele num vínculo que propaga união comunitária, de maneira que por vezes percebe-se no mundo uma união maior entre o próprio Diabo e os seus do que naqueles que se intitulam de Cristo, que sem discernimento não se exercitam no amor, sendo necessário uma atenção maior para que se compreenda o que Deus espera de nós, ao ponto que a Sua vontade seja executada.... Finalizo apenas dizendo que não adianta “bagagem, se não tiver o bilhete de passagem”, que é um vínculo com o Criador. Amém. 

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