domingo, 11 de março de 2018

Sincretismo eminente.

"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." (Marcos 16: 15-16).
O sincretismo religioso, é uma necessidade da expansão de influência. Ou seja, a partir do momento em que cristãos decidem não se envolver mais com o sincretismo religioso, abraçando variações canônicas da cristandade, para fazerem assimilações mais profundas e influenciarem a fé de outras pessoas não cristãs de maneira a compreendê-las e redirecioná-las para a verdade, desistindo disso, cristãos tornam-se intolerantes religiosamente, criando uma barreira que os limita em ação e os leva para um isolamento, quando não para um suicídio, por esfriarem no verdadeiro amor e acomodarem-se.
Dessa forma, se o cristianismo se expandir de forma “fria”, legalistamente, preso aos rituais e sem obediência a Cristo no amor, ele perde a sua razão de ser e seu verdadeiro poder de influência. Acontecendo então um novo obscurecimento da percepção cultural da humanidade. Ou seja, uma nova “Idade Média”, como dizem, idade das trevas.
Isso acontece, pelo que Paulo deixou declarado o argumento: "Para que agora, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos céus," (Efésios 3: 10), o que significa que há muitas formas de sabedorias a serem consideradas, não havendo uma sabedoria padrão universal a ser imposta sobre todas as demais percepções. Pelo que a Obra da Salvação está ao encargo de Jesus e não do domínio humano. E nesse sentido, quando se busca uma predominância canônica, um pensamento padrão por sobre a humanidade, e até, sobre toda a cristandade, se está estabelecendo um tempo de incultura e não de multiforme cultura à regular cada aspecto. O que significa que Jesus aceita as diferenças com que é adorado.
Pois “a cultura em si é vida e cultura gera vida”. De maneira que quando uma pessoa tem muitos conhecimentos, aderindo a diversas tradições, ela se flexibiliza, se move, e se permite mais à vida, procedendo espontaneamente, ou com mais liberdade. E nesse sentido, quando as pessoas pensam que algo é errado e jogam-no no lixo, simplesmente sem reaviva-lo reinterpretando e redirecionando-o para um avivamento ramificado e objetivo, essas investidas missionárias preconceituosas se tornam em investidas descuidadas da integridade, e, com isso, retrógradas.
Ou seja, quando cristãos tentam subjugar todas as culturas diferentes ao seu próprio conceito, eles estão em verdade, se fechando para o crescimento do corpo da fé, não influenciando mais e inclusive, sendo oprimidos e opressores.
Afinal, a abrangência cultural, que busca novos entendimentos, novas revelações, é uma abrangência que gera vida. Desse modo, em dias atuais, se percebe um retrocesso cultural por causa dessa tensão de sobrecarga que busca um domínio, e não um relacionamento “de troca” com os demais a exemplo de como fazia o apóstolo Paulo que se “misturava nas tradições”.
Esse ceticismo: “quero ver para crer”, que atenua a verdade para algo que tem que ser compreensível, tem esfriado a “magia da fé”, ao ponto explícito que tudo perde o sentido, como por exemplo, a cultura do Natal e da Páscoa, que vem perdendo seus significados como cultura cristã, justamente, por que não exaltam sinceramente a Jesus e seu ensino, o que desencoraja muitos de viverem simplesmente pela fé, ou dependência em Cristo; abraçando, pelo contrário, instigando apego pela lei e sua tradição; repudiando, e bem sabemos: "Porque eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus." (Gálatas 2: 19), também: "E é evidente que pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da fé." (Gálatas 3: 11), ao que Paulo vai mais a fundo ainda: "Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído." (Gálatas 5: 4), o que nos faz concluir: "Porque a promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão, ou à sua posteridade, mas pela justiça da fé." (Romanos 4: 13).
Assim, a busca pela verdade, que não se faz plenamente numa realidade objetiva em favorecer a graça, e a compreensão e aceitação das pessoas pela justiça da fé em caráter transformador, sendo baseada numa lógica humana, euclidiana, de se buscar a relação das coisas... diminui a eficácia da fé e o poder dos crentes, inibindo a multiforme cultura, ou, a multiforme sabedoria.
O simbolismo bíblico não-euclidiano, por exemplo, “do doze”... que representa uma dominância mais absoluta duma nova realidade, pois mesmo que se conheça apenas “dez” algarismos euclidianos, nos dá a entender que a verdade ainda se encontra protegida num “véu mental”, que não permite ver o absoluto, que senão experimentá-lo pela fé, a exemplo da atividade musical, que se baseia em “doze” notas bases, ...pelo que se percebe, que através dela se tem um contato maior com Deus, com o louvor, o cantar, e expressar admiração, e acima de tudo, também proporciona encanto com a vida.
Se fazendo óbvio que o cristianismo atual, está caminhando para um retrocesso de influência. Pelo que novas lideranças terão de se levantar, para que sejam geradas “novas sementes” de incumbência evangelística duma assimilação maior, caso não queiramos sofrer um grave retrocesso na fé, ou, uma depressão cultural. Lideranças estas, que busquem compreender mais a fundo a vontade de Deus para que tudo coopere para aquilo que Deus tem planejado, não se fundamentando em “achismos teológicos” para defesa de pretensões humanas, mas, fundamentadas na realidade profética da necessidade de se viver pela fé e não pelas impressões consideradas “reais”, quando são apenas conceitos nebulosos que sustentam este mundo, dessa falta de verdade que Paulo chega a declarar: "Mas, se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que sou eu ainda julgado também como pecador?" (Romanos 3: 7), o que evidencia que devemos buscar a transcendência, de maneira que conhecimentos intensifiquem o sentido da vida colocando todos sob o mesmo patamar, e como lemos: "Porque agora vemos por espelho em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei como também sou conhecido." (1ª Coríntios 13: 12).
Lógico, tudo o que Deus está permitindo sobre a humanidade, é para que despertemos e possamos aceitar uma verdade maior e mais plena à medida que o “véu” vai se desfazendo. Pelo que o próprio Deus Criador desmistificou muitos conhecimentos e tempos, como na época do Renascimento instituindo a Reforma, propagando um retorno a princípios edificantes a vida, à graça, à cultura... assim também, em dias atuais, devemos buscar implantar sementes para que o mesmo aconteça. Do contrário, “seitas” que buscam uma globalização, poderão incentivar a manipulação das pessoas, gerando uma época de perseguição e opressão aos mais sinceros na fé.
Isso é um fato consumado! De maneira que não podemos escapar desse retrocesso se não atentarmos para diretrizes de influência destacadas na vida do próprio Cristo. Sendo base, que a vida, é princípio fundamental dos ensinos de Cristo..., se algo não favorece a vida e a contemplação de si própria em todas as suas diversidades, isso, não agrega valor para a verdadeira fé, sendo óbvio que jamais pode ser padrão algo que é apenas parte, e por isso, desconsidera a outra parte.
Assim, o cristianismo atual está se perdendo, justamente, por perder a própria glória que ele poderia ter e deveria ter para com a humanidade, não oferecendo nada ademais daquilo que a humanidade já não tenha. Então, atentos a isso, a transcendência teológica deverá suprir as necessidades sincrônicas de “ir ao encontro e não em fugir para esquecer”, pois como Jesus disse: “...Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. ”, o que dá prenúncio de esperança em ser acolhido e sarado por aqueles que verdadeiramente possuem conhecimento de causa, daquilo que verdadeira e satisfatoriamente agrada a Jesus.
Porém, ao que tudo indica, estamos em verdade a caminho de uma grande depressão, que se faz necessária, justamente, porque somente quando a humanidade caminhar para uma depressão, é que se buscará, por razões lógicas de conhecimento humano, da natureza humana,... é que assim, num momento de sofrimento, as pessoas buscarão novamente a esperança pela fé, o problema, é que é justamente nessas circunstâncias, que muitos enganadores, lobos traiçoeiros, poderão se levantar, como têm se levantado, para extorquir o que resta de dignidade em tantas almas humilhadas pelas imposições culturais....
Que se tenha cuidado para fazer uma observação lúcida do que significa o sincretismo religioso na necessidade para crescimento e não retrocesso a embarcar em ondas de fundamentalismo clérigo que desnorteia o que resta de aceitação do evangelho, de interesse por Jesus, quando, como cristãos, devemos abraçar as culturas e não discrimina-las como se não tivessem valor algum, pois como advertiu o profeta: "A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com verdade trará justiça." (Isaías 42: 3), e se esse é o proceder de Jesus, como seus discípulos, devemos fazer o mesmo, não fazendo como faziam os fariseus: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito[convertido]; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós." (Mateus 23: 15) ...

Portanto, singelamente, sejamos cuidadosos para progredir em amor e fé, sabendo que devemos dar contas de nossas indiferenças perante o tribunal do Deus Criador ao final de nossa vida! Estejamos atentos, amém. 

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