"E disse-lhes: Ide por todo o
mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo;
mas quem não crer será
condenado."
(Marcos 16: 15-16).
O sincretismo religioso, é uma
necessidade da expansão de influência. Ou seja, a partir do momento em que
cristãos decidem não se envolver mais com o sincretismo religioso, abraçando
variações canônicas da cristandade, para fazerem assimilações mais profundas e influenciarem
a fé de outras pessoas não cristãs de maneira a compreendê-las e
redirecioná-las para a verdade, desistindo disso, cristãos tornam-se
intolerantes religiosamente, criando uma barreira que os limita em ação e os
leva para um isolamento, quando não para um suicídio, por esfriarem no verdadeiro
amor e acomodarem-se.
Dessa forma, se o cristianismo se
expandir de forma “fria”, legalistamente, preso aos rituais e sem obediência a
Cristo no amor, ele perde a sua razão de ser e seu verdadeiro poder de
influência. Acontecendo então um novo obscurecimento da percepção cultural da
humanidade. Ou seja, uma nova “Idade Média”, como dizem, idade das trevas.
Isso acontece, pelo que Paulo deixou
declarado o argumento: "Para que
agora, pela igreja, a multiforme
sabedoria de Deus seja conhecida dos principados e potestades nos
céus," (Efésios 3: 10), o que significa que há muitas formas de
sabedorias a serem consideradas, não havendo uma sabedoria padrão universal a
ser imposta sobre todas as demais percepções. Pelo que a Obra da Salvação está
ao encargo de Jesus e não do domínio humano. E nesse sentido, quando se busca
uma predominância canônica, um pensamento padrão por sobre a humanidade, e até,
sobre toda a cristandade, se está estabelecendo um tempo de incultura e não de
multiforme cultura à regular cada aspecto. O que significa que Jesus aceita as diferenças
com que é adorado.
Pois “a cultura em si é vida e
cultura gera vida”. De maneira que quando uma pessoa tem muitos conhecimentos,
aderindo a diversas tradições, ela se flexibiliza, se move, e se permite mais à
vida, procedendo espontaneamente, ou com mais liberdade. E nesse sentido, quando
as pessoas pensam que algo é errado e jogam-no no lixo, simplesmente sem reaviva-lo
reinterpretando e redirecionando-o para um avivamento ramificado e objetivo,
essas investidas missionárias preconceituosas se tornam em investidas
descuidadas da integridade, e, com isso, retrógradas.
Ou seja, quando cristãos tentam
subjugar todas as culturas diferentes ao seu próprio conceito, eles estão em
verdade, se fechando para o crescimento do corpo da fé, não influenciando mais
e inclusive, sendo oprimidos e opressores.
Afinal, a abrangência cultural, que
busca novos entendimentos, novas revelações, é uma abrangência que gera vida. Desse
modo, em dias atuais, se percebe um retrocesso cultural por causa dessa tensão
de sobrecarga que busca um domínio, e não um relacionamento “de troca” com os
demais a exemplo de como fazia o apóstolo Paulo que se “misturava nas tradições”.
Esse ceticismo: “quero ver para
crer”, que atenua a verdade para algo que tem que ser compreensível, tem
esfriado a “magia da fé”, ao ponto explícito que tudo perde o sentido, como por
exemplo, a cultura do Natal e da Páscoa, que vem perdendo seus significados
como cultura cristã, justamente, por que não exaltam sinceramente a Jesus e seu
ensino, o que desencoraja muitos de viverem simplesmente pela fé, ou
dependência em Cristo; abraçando, pelo contrário, instigando apego pela lei e
sua tradição; repudiando, e bem sabemos: "Porque
eu, pela lei, estou morto para a lei, para viver para Deus." (Gálatas
2: 19), também: "E é evidente que
pela lei ninguém será justificado diante de Deus, porque o justo viverá da
fé." (Gálatas 3: 11), ao que Paulo vai mais a fundo ainda: "Separados estais de Cristo, vós os que
vos justificais pela lei; da graça tendes caído." (Gálatas 5: 4), o
que nos faz concluir: "Porque a
promessa de que havia de ser herdeiro do mundo não foi feita pela lei a Abraão,
ou à sua posteridade, mas pela justiça da
fé." (Romanos 4: 13).
Assim, a busca pela verdade, que não
se faz plenamente numa realidade objetiva em favorecer a graça, e a compreensão
e aceitação das pessoas pela justiça da fé em caráter transformador, sendo
baseada numa lógica humana, euclidiana, de se buscar a relação das coisas...
diminui a eficácia da fé e o poder dos crentes, inibindo a multiforme cultura,
ou, a multiforme sabedoria.
O simbolismo bíblico não-euclidiano,
por exemplo, “do doze”... que representa uma dominância mais absoluta duma nova
realidade, pois mesmo que se conheça apenas “dez” algarismos euclidianos, nos
dá a entender que a verdade ainda se encontra protegida num “véu mental”, que
não permite ver o absoluto, que senão experimentá-lo pela fé, a exemplo da atividade
musical, que se baseia em “doze” notas bases, ...pelo que se percebe, que
através dela se tem um contato maior com Deus, com o louvor, o cantar, e
expressar admiração, e acima de tudo, também proporciona encanto com a vida.
Se fazendo óbvio que o cristianismo
atual, está caminhando para um retrocesso de influência. Pelo que novas
lideranças terão de se levantar, para que sejam geradas “novas sementes” de
incumbência evangelística duma assimilação maior, caso não queiramos sofrer um
grave retrocesso na fé, ou, uma depressão cultural. Lideranças estas, que
busquem compreender mais a fundo a vontade de Deus para que tudo coopere para
aquilo que Deus tem planejado, não se fundamentando em “achismos teológicos”
para defesa de pretensões humanas, mas, fundamentadas na realidade profética da
necessidade de se viver pela fé e não pelas impressões consideradas “reais”,
quando são apenas conceitos nebulosos que sustentam este mundo, dessa falta de
verdade que Paulo chega a declarar: "Mas,
se pela minha mentira abundou mais a verdade de Deus para glória sua, por que
sou eu ainda julgado também como pecador?" (Romanos 3: 7), o que evidencia
que devemos buscar a transcendência, de maneira que conhecimentos intensifiquem
o sentido da vida colocando todos sob o mesmo patamar, e como lemos: "Porque agora vemos por espelho em
enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então
conhecerei como também sou conhecido." (1ª Coríntios 13: 12).
Lógico, tudo o que Deus está
permitindo sobre a humanidade, é para que despertemos e possamos aceitar uma
verdade maior e mais plena à medida que o “véu” vai se desfazendo. Pelo que o próprio
Deus Criador desmistificou muitos conhecimentos e tempos, como na época do
Renascimento instituindo a Reforma, propagando um retorno a princípios
edificantes a vida, à graça, à cultura... assim também, em dias atuais, devemos
buscar implantar sementes para que o mesmo aconteça. Do contrário, “seitas” que
buscam uma globalização, poderão incentivar a manipulação das pessoas, gerando uma
época de perseguição e opressão aos mais sinceros na fé.
Isso é um fato consumado! De maneira
que não podemos escapar desse retrocesso se não atentarmos para diretrizes de
influência destacadas na vida do próprio Cristo. Sendo base, que a vida, é
princípio fundamental dos ensinos de Cristo..., se algo não favorece a vida e a
contemplação de si própria em todas as suas diversidades, isso, não agrega
valor para a verdadeira fé, sendo óbvio que jamais pode ser padrão algo que é
apenas parte, e por isso, desconsidera a outra parte.
Assim, o cristianismo atual está se
perdendo, justamente, por perder a própria glória que ele poderia ter e deveria
ter para com a humanidade, não oferecendo nada ademais daquilo que a humanidade
já não tenha. Então, atentos a isso, a transcendência teológica deverá suprir
as necessidades sincrônicas de “ir ao encontro e não em fugir para esquecer”,
pois como Jesus disse: “...Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a
toda criatura. ”, o que dá prenúncio de esperança em ser acolhido e
sarado por aqueles que verdadeiramente possuem conhecimento de causa, daquilo
que verdadeira e satisfatoriamente agrada a Jesus.
Porém, ao que tudo indica, estamos em
verdade a caminho de uma grande depressão, que se faz necessária, justamente,
porque somente quando a humanidade caminhar para uma depressão, é que se
buscará, por razões lógicas de conhecimento humano, da natureza humana,... é
que assim, num momento de sofrimento, as pessoas buscarão novamente a esperança
pela fé, o problema, é que é justamente nessas circunstâncias, que muitos
enganadores, lobos traiçoeiros, poderão se levantar, como têm se levantado, para extorquir o que resta de dignidade em tantas almas humilhadas pelas imposições
culturais....
Que se tenha cuidado para fazer uma
observação lúcida do que significa o sincretismo religioso na necessidade para
crescimento e não retrocesso a embarcar em ondas de fundamentalismo clérigo que
desnorteia o que resta de aceitação do evangelho, de interesse por Jesus,
quando, como cristãos, devemos abraçar as culturas e não discrimina-las como se
não tivessem valor algum, pois como advertiu o profeta: "A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega; com
verdade trará justiça." (Isaías 42: 3), e se esse é o proceder de
Jesus, como seus discípulos, devemos fazer o mesmo, não fazendo como faziam os
fariseus: "Ai de vós, escribas e
fariseus, hipócritas! Pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito[convertido];
e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que
vós." (Mateus 23: 15) ...
Portanto, singelamente, sejamos
cuidadosos para progredir em amor e fé, sabendo que devemos dar contas de
nossas indiferenças perante o tribunal do Deus Criador ao final de nossa vida!
Estejamos atentos, amém.
Nenhum comentário:
Postar um comentário